Bem vindos!


A mediação de conflitos pode reduzir prejuízos e prazos em uma gestão


Muito se tem visto, entre dirigentes, privados e públicos, um certo fascínio por temas que evocam a resolução de problemas variados pelo uso de leituras e analogias com situações de guerra.

Os métodos bélicos, além dos especialistas na área, militares e estrategistas dessas situações, não deveriam encantar estadistas e empresários, pelo simples motivo que é na paz que o mundo se desenvolve e encontra soluções para suas demandas sociais e de todo tipo de contencioso. O estado de guerra, ou o método bélico, para resolver situações de paz pode implantar uma cultura de violência e exceção, comprometendo resultados e desempenhos.

Leituras que valorizam a guerra como uma arte, outras que se referem às intrigas junto ao poder, como meios \"inteligentes\" de solução de situações, na realidade, distorcem a compreensão adequada dos conflitos podendo conduzir à supressão da verdade, que, normalmente, costuma ser a primeira vítima, nas situações de guerra efetiva.

Marketing de guerra, vendedores treinados como \"soldados\", manobras \"maquiavélicas,\" objetivos definidos como alvos, \"targets\", esforços de divulgação intensiva tratados como \"artilharia,\" chefes operacionais definidos como \"sargentões,\" presidentes e diretores aludidos como \"generais,\" além de usurparem, de forma pouco original, nomenclaturas de outra seara, podem infundir noções indevidas e produzir comportamentos inadequados.

Essa apropriação de significados, além de cômoda e fácil, por não ter que gerar novos signos e analogias para a compreensão de temas empresariais e governamentais, ajuda numa visão simplista de problemas, que mereceriam uma abordagem sutil e que poderia remeter a estudos antropológicos, psicológicos e históricos.

Compreender pessoas, seus comportamentos, suas escolhas e suas decisões, pressupõe o uso de métodos de investigação abrangentes e profundos, consistentes e transparentes.
As grandes navegações, o comércio internacional, os acordos e convênios ampliaram ao longo da história humana, os limites e conceitos, permitindo aproximação entre povos e nações e aumentando o respeito entre diferentes.

A mundialização das economias e culturas permite visualizar o mosaico variado e colorido de todas as identidades, que as fronteiras e a soberania, exacerbadas, produziam.
No ano de 2008 o prêmio Nobel da Paz foi atribuído a um cidadão finlandês, que é um civil e profissional mediador de conflitos.

Além de ajudar no restabelecimento de relações entre nações que se tinham agredido mutuamente com a guerra, trabalhou, silenciosamente, aproximando grupos, exércitos e milícias, que tinham se encarregado de fazer a guerra e produzir agressões e ocupações indevidas e inaceitáveis.

Os terríveis saldos de destruição das guerras, depois, precisam ser resolvidos pelas sociedades, em situação de paz, mas completamente destruídas pelo estado de insânia anterior. Guerras são como surtos de determinadas doenças, é melhor não deixar ocorrer o primeiro, pois o nível de destruição de células nobres pode ser grande ou irrecuperável.

Em situações diárias e triviais, nos grupos familiares, nas empresas, nas instâncias governamentais e estatais, constatamos um elevado numero de conflitos, resultados de uma cultura de intolerância, de impaciência, de desconhecimento do outro, de pouca sensibilidade pelas diferenças, de busca pelo resultado imediato e de desconhecimento de anseios e sonhos alheios.

Conflitos, dependendo de sua origem e estrutura, podem ajudar na evolução e no crescimento das pessoas e das sociedades. O conflito gerado pelo desenvolvimento de um ser humano, o conflito na obtenção de vaga em uma escola superior, o conflito de opiniões, que caracteriza as democracias, o conflito para vencer competições esportivas, e muitos outros, podem ser definidos como positivos.

Mas os conflitos por vaidades, de veleidades, de status, de poder, de direitos feridos, de manipulações indevidas, de demandas legítimas tratadas sem qualquer respeito, normalmente geram ressentimento, raiva, revolta e desejo de revide. E a perda de recursos financeiros e produtivos bastante significativos.

Situações negativas não mediadas e resolvidas tendem a gerar e alimentar novos conflitos e formam um quadro que, em menor ou maior escala, é o responsável por momentos indesejáveis em muitas organizações, públicas ou privadas, por colocar em risco seus esforços e resultados e permitir a perda de energias essenciais e o desvio de grande dos objetivos prioritários.

Em sucessões empresariais, familiares ou outras, a ação da mediação especializada auxilia na busca e obtenção de soluções mais equilibradas, que consomem menos recursos e disponibilizam opções de decisão em muito menor tempo.

A mediação de conflitos pode reduzir prejuízos e prazos se adotada no momento adequado e conduzida por profissional experiente. Na Argentina, por exemplo, a mediação de conflitos, na fase pré-judicial, tem levado a um índice de quase 50% de resolução, com grande economia para as partes envolvidas.

Existem conflitos de opiniões, reais e irreais, explícitos e ocultos, pessoais e grupais, organizacionais e hierárquicos, por poder e por mais poder, por interesses abertos e por interesses ocultos, por pleno entendimento das opiniões das partes envolvidas e por falhas no processo de comunicação entre pessoas.

Conflitos podem ser entendidos como o somatório das diferenças entre pessoas, empresas, governos. As diferenças objetivas e subjetivas, alimentadas pela complexidade de certas organizações e pela sensibilidade de suas operações, muitas vezes, afastam os envolvidos de uma solução, criando na prorrogação ou na procrastinação, mais condições propícias ao conflito ou a sua ampliação. Conflitos têm sua base de formação sempre entre pessoas e se estendem a outros níveis.

A gestão adequada, através da mediação, pode minimizar os conflitos por meio de negociações cooperativas e estimular atitudes colaborativas e complementares.

Vários métodos de mediação existem. O importante é que todos devem privilegiar as posturas de paz, solidariedade e cooperação.

Autor: Danilo Cunha, Consultor Corporativo e Analista Político
Fonte: Economia SC
A mediação de conflitos pode reduzir prejuízos e prazos em uma gestão A mediação de conflitos pode reduzir prejuízos e prazos em uma gestão Reviewed by Empresas S/A on 05:04 Rating: 5

Nenhum comentário: