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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O novo mercado de trabalho, vocação e a escolha profissional

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A escolha profissional reflete dilemas e conflitos internos e íntimos da pessoa que precisa decidir, e as pressões familiares e sociais. Muitas das pressões sociais refletem a reprodução de etapas similares da vida dos pais, que as colocam para seus filhos e filhas, na boa intenção de ajudá-los a escolher.
É muito importante conceituar o que é trabalho e o que é profissão. O trabalho consiste na aplicação de uma determinada capacidade pessoal, durante um certo tempo, que pode ser diário, em jornadas de escala ou em atendimentos pontuais. Essa capacidade representa a aplicação de energias físicas, intelectuais e emocionais na produção de serviços ou produtos.
O mercado de trabalho é um espaço de relação entre empresas/organizações e seus colaboradores, os quais recebem um determinado pagamento pelo aluguel de sua capacidade e dedicação, por determinado tempo em que ficam à disposição de seus empregadores. A profissão é uma atividade ou ocupação especializada e que supõe determinado preparo ou capacitação.
Esse preparo pode ser desenvolvido por uma prática adquirida e desenvolvida ao longo de um determinado período ou resultado de um estudo ou de uma pesquisa. Algumas ocupações e profissões, dependendo da época, reuniram mais prestígio social devido aos contextos e prioridades da sociedade.
Já foi de grande destaque, em nosso país, ser empregado do Banco do Brasil, ser militar ou seguir a carreira de professor. Na década de 60, no século XX, muitos processos de mudanças políticas e sociais foram impulsionados pelo salto tecnológico que a humanidade viveu. Foram implantadas as redes mundiais de telecomunicações, a informática teve enorme impulso, a tecnologia digital jogou o mundo em outra fase na década de 80 e o campo profissional sofreu significativas mudanças radicais.
As redes de comunicação permitiram que novos conceitos e relações de trabalho fossem adotadas e novas ocupações profissionais e profissões surgiram e ganharam destaque. A presença no local de trabalho já não era tão necessária, uma vez que tarefas poderiam ser realizadas à distância, com supervisão e controle pelo uso das novas tecnologias.
A inteligência, a iniciativa, a criatividade, a inovação, e a riqueza intelectual receberam nova e elevada prioridade. Novas profissões surgiram e se consagraram como de grande prestígio social. Com as redes cobrindo os grandes centros mundiais e o volume de negócios realizados por essas redes aumentando vertiginosamente, corretores, investidores e dirigentes passaram a fazer seus negócios ou a controlar suas operações, muitas vezes, de outras cidades, e até mesmo países, de onde se desenrolavam as atividades produtivas, que geravam seus resultados, ganhos e lucros.
Esse processo trouxe um grande número de novas ocupações e profissões, gerando grande demanda de novos cursos para atender o novo perfil ocupacional. A presença do computador, a universalização das redes de comunicação e informação, a miniaturização da tecnologia, e outras decorrências, impactaram o ser humano e geraram novas posturas também em outras áreas como saúde, educação e segurança.
As doenças ocupacionais, a necessidade de estudos ergonômicos mais desenvolvidos, a necessidade das pessoas se exercitarem mais e devidamente, a alimentação mais prática e veloz, e outras decorrências, desaguaram numa sociedade grande consumidora de insumos, alimentos e de serviços especializados para fazer frente a essas novas demandas.
Isso tudo serve para nos mostrar que os contextos que geraram as profissões no século XX sofreram enormes alterações e que o novo mundo, que aí está, estabeleceu uma nova postura para os jovens, principalmente em função dos novos sistemas de saúde e previdência. Basta lembrar o pacto social existente anteriormente.
Uma pessoa que começasse a trabalhar cedo poderia se aposentar 30 ou 35 anos depois, bastando que comprovasse um determinado tempo trabalhado e a existência das empresas a que esteve vinculado. O paternalismo governamental e a inércia dos estados de bem-estar social, mesmo que com enormes rombos financeiros nos tesouros nacionais, garantia as aposentadorias.
Com os novos tempos e a pressão da comunidade mundial pelo nivelamento das finanças e controles governamentais, novos parâmetros foram injetados nas áreas de gastos públicos e saúde e previdência alongaram seus prazos de assistência a aposentadoria. O aumento da expectativa de vida, com a medicina mais acessível para todos e os novos medicamentos mais eficazes, trouxe outro desafio para os técnicos atuariais.
Como manter com os cofres da mesma sociedade, as novas despesas geradas pelos novos tempos e pelo maior tempo de vida médio que a humanidade alcançou? Com todas essas mudanças, a geração que inicia sua inserção no mercado de trabalho, com certeza, irá poder aposentar-se somente após uma idade bem mais avançada do que aqueles que já cursaram mais da metade de suas vidas profissionais.
E pagando mais pelos serviços de saúde e previdência, associados a organizações privadas de complementação de valores. Isso coloca pais e dirigentes numa reflexão: por que continuar exigindo que os jovens decidam sobres seus futuros em idade tenra e precoce, quando sabemos que terão patamares de idade bem mais avançados para se aposentar?
A ocupação do tempo com atividades sadias para os jovens, sem dúvida, é uma atitude correta e terapêutica. Mas como encaixar as engrenagens sociais e produtivas, que colocarão essas novas gerações em maiores expectativas de vida e com prazos muito maiores para alcançar o patamar de suas aposentadorias, e do tempo livre conquistado, com dignidade e qualidade de vida?
Esse é um dos dilemas gerados pela realidade do século XXI: estudar mais, dar mais atenção às vocações, experimentar atividades diversificadas, conhecer-se melhor e gerar uma base de auto-conhecimento mais sólida, preparando-se para uma jornada bem mais longa ou definir uma linha profissional e mergulhar num mercado em mutação? Essa questão fica lançada para educadores, pais e dirigentes, públicos e empresarias, pois toda a estrutura sócio/econômica/política terá de se ajustar para enfrentar os novos desafios, sem gerar grande número de seres humanos frustrados e sem prazer de viver.

Autor: Danilo Cunha, Consultor Corporativo e Analista Político
Fonte: Economia SC

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