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Marketing feminino: a revolução da mulher no mercado


Dia 8 de março pode ser representado na figura de uma mulher emancipada, independente, realizada e madura, deixando para trás sua fase balzaquiana, termo oriundo da obra: A mulher de 30 anos, de Honoré de Balzac. A data, instituída pela ONU em 1975, teve como objetivo lembrar ao mundo suas lutas contra a violência e a discriminação. Apesar do avanço, alguns países do continente Africano e do Oriente Médio parecem ainda estar em 1857, ano em que uma fábrica de tecidos norte-americana foi incendiada para calar a voz de mais de 130 tecelãs que reivindicavam melhores condições de trabalho e equiparação salarial.

Apesar das diferenças nos contracheques, comprovadas por diversas pesquisas, ainda persistirem, a participação das mulheres no mercado de trabalho tem crescido de maneira inexorável, conforme dados do IBGE. Basta um olhar ao seu redor no escritório para comprovar tal teoria. Neste novo cenário, as discussões entre as diferenças dos sexos já não são tão acaloradas e generalizadas, ocupando as telinhas da novela das sete em engraçados embates, não obstante alguns casos esporádicos, tais como as imagens bizarras do trote ocorrido no Campus da USP no interior paulista na semana passada.

Voltemos no tempo para entender as origens das diferenças. Na época das cavernas os homens partiam em busca de alimento, enquanto as mulheres zelavam a cria e o lar. Hoje ambos saem à caça, restando à mulher o papel da dupla jornada. Pensem agora em seus filhos e sobrinhos recém-nascidos. Mesmo que inconsciente, protegemos e falamos de maneira mais carinhosa com bebês vestidos de cor-de-rosa, tese comprovada pela literatura sobre como criar meninos e meninas. Em um mercado ultracompetitivo, mulheres precisam se adaptar ao mundo anteriormente machista e masculino. Duplo desafio.

Mark Gungor, autor do livro:“Laugh Your Way to a Better Marriage: Unlocking the Secrets to Life, Love, and Marriage” ou (Rir é o melhor remédio para um casamento melhor: desvendando os segredos da vida, do amor e do casamento), em uma tradução livre- a mulher utiliza os dois lados do cérebro ao invés do direito apenas. Há também mais conexões através dos dendritos, possibilitando maior capacidade de pensar holisticamente e expressar suas emoções. Tente discutir com sua esposa ou namorada e comprove o número de palavras por minuto, às histórias resgatadas do fundo do baú e a facilidade em transformar sentimentos em lágrimas. Em um mundo cada vez mais conectado e globalizado, ponto para as mulheres.

Avancemos algumas décadas. Quando criança, meu pai é quem escolhia o modelo de carro, restando a minha mãe definir entre o branco e o gelo. Hoje as mulheres não mais influenciam as decisões nas unidades familiares. Preferem ir direto ao consumo. Carros e apartamentos substituíram roupas, compras de supermercado e educação dos filhos. Perdidas estão as empresas e profissionais de marketing que ainda tratam as mulheres como um mercado em ascensão. Hoje elas são o mercado, salientando que não costumam perguntar aos seus maridos suas opiniões, nem mesmo a cor do carro.

Há, todavia, alguns nichos que ainda podem ser explorados neste complexo universo feminino. Para explicá-los trago o livro Microtendências, do pesquisador Mark Penn. Segundo o autor, o advento da internet, a queda brutal nos custos das comunicações e a globalização, possibilitaram que grupos anteriormente excluídos pelas empresas pudessem se tornar comercialmente interessantes. Definidos como microtendências, envolvem até 1% da população. Um mercado nada desprezível, considerando a população mundial. Vejamos três destas microtendências.

Solteiras demais: creio que tenha exemplos em sua família de alguma prima ou conhecida balzaquiana. Inteligentes, bonitas, com bons empregos e salários, seriam partidões caso tivessem nascidos com o cromossomo trocado. A preocupação com a carreira, a maternidade tardia, a maior mortalidade masculina entre os jovens e o aumento de casais homossexuais, criam um déficit entre os sexos, pendendo a balança para o lado das mulheres.

Tigresas: apesar do ar de reprovação de algumas pessoas, é fato que o número de mulheres mais velhas namorando homens mais jovens vem aumentando. Artistas e socialites cujas vidas são escarafunchadas são os exemplos mais visíveis. A independência financeira e sexual conquistada pelas gerações anteriores, o aumento no número de divórcios e a sociedade mais aberta, tem feito que mulheres maduras optem pela felicidade independentemente da idade do parceiro.

Mulheres prolixas: as mulheres têm demonstrado aptidão em áreas que exigem o uso da palavra escrita ou oral. Algumas profissões e bancos de universidades estão se tornando redutos femininos. Cursos de jornalismo, direito e propaganda são bons exemplos. Apresentadoras, advogadas, juízas, deputadas, prefeitas, governadoras, delegadas e atual presidenta, comprovam o sucesso feminino quando o assunto são palavras, corroborando Mark Gungor.

Em suma, utilizaria o termo oportunidade caso tivesse que resumir esta data em uma palavra. Os especialistas no universo feminino e seus comportamentos de compra têm hoje apenas uma foto do presente e a história escrita do passado, quando mulher era sinônimo de compulsão, tal qual a delegada da novela das oito. As microtendências provam que ainda há muito a avançar neste intrincado e apaixonante terreno que é o cérebro feminino, sejam ou não balzaquianas. Sorte ou azar dos homens, só o tempo irá dizer.

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 Autor: Marcos Morita é mestre em Administração de Empresas, professor da Universidade Mackenzie e professor tutor da FGV-RJ. Especialista em estratégias empresariais, é colunista, palestrante e consultor de negócios. Há mais de quinze anos atua como executivo em empresas multinacionais. www.marcosmorita.com.br / professor@marcosmorita.com.br
Fonte: InformaMídia Comunicação
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